A forma como trabalhamos tem passado
por transformações profundas, do fordismo às tecnologias mais recentes. A cada
ciclo, novas metodologias, ferramentas e formatos são introduzidos no mercado
de trabalho, e nós, profissionais, precisamos nos adaptar para continuar
entregando resultados e valor. Esse processo de aprendizado contínuo deixou de
ser opcional: é condição de relevância. Como exemplos práticos, podemos citar:
Inteligência Artificial, Indústria 4.0, Agilidade, Globalização, Internet das Coisas (IoT), entre
tantos outros que poderiam continuar essa lista.
Entretanto, todos esses avanços são
extensões da nossa capacidade de executar, ou seja, podem ser considerados
“formas” de fazer que oferecem mais eficiência e eficácia durante o processo.
Vamos a uma breve analogia: imaginemos que, durante a Idade Média, um
marceneiro inventasse a serra elétrica (imaginária, lembre-se!). Com a serra, a
marcenaria mais que quintuplicou a entrega de móveis. Os concorrentes,
automaticamente, também quiseram adotar a novidade para alcançar os mesmos
resultados. Alguma correlação com os dias atuais?
Só que os marceneiros concorrentes
simplesmente receberam a nova ferramenta com diretrizes básicas para começar a
usá-la. É aqui que entra a tartaruga!
Imagine que a incumbência de
utilizar a serra para produzir mais seja transmutada em uma tartaruga. Se
qualquer um de nós recebesse uma tartaruga para cuidar, qual seria a primeira
coisa a fazer para ter sucesso nessa empreitada de “Pai de Pet”? Diria, com
toda a convicção, que seria entender como cuidar de uma tartaruga: o que ela
precisa para sobreviver, o que ela come, o que ela não gosta, como ela
“funciona”. Enfim, informações que facilmente comporiam um Manual de
Instruções. Ter domínio desse conhecimento é o básico do básico. E, ainda
assim, apostaria que boa parte das pessoas já tropeçaria nessa primeira etapa.
Mas vamos continuar com os demais
que estão aptos para cuidar da tartaruga. Mesmo tendo o domínio do
conhecimento sobre o que precisa ser feito para garantir a longa vida desse
réptil, qual seria a habilidade essencial para aumentar ainda mais essa garantia? Eu apostaria que é o comprometimento. Comprometer-se com a atividade de cuidar
da Tag (sim, resolvi dar um nome a ela 😉) proporciona um resultado
verdadeiramente eficiente: além do conhecimento técnico, estaremos atentos aos
sinais, detalhes e condições que direcionam nosso cuidado. Se a Tag resolver
dar um passeio, a acompanhamos para garantir sua segurança. Se ela tentar comer
algo impróprio, estamos lá para evitar. Enfim, estaremos no controle da
situação, e é aí que a maioria fica pelo caminho.
Voltando à Idade Média: qualquer
marceneiro que desejasse utilizar a serra como ferramenta de aumento de
produtividade precisaria estar comprometido com sua utilização para garantir
resultados eficientes. E voltando à nossa realidade: ter o domínio de qualquer
nova metodologia, ferramenta ou tecnologia é apenas metade do caminho. Para
conquistar o controle com eficiência e eficácia, precisamos estar genuinamente
comprometidos com a atividade-fim. Ou seja: dedicar-se de verdade a cuidar da
nossa tartaruga, para que ela viva muitos e muitos séculos, mesmo que nossa
responsabilidade seja apenas uma parcela dessa vida.
No fim, o que separa o profissional mediano do profissional de referência não é o acesso à melhor ferramenta ou o maior volume de cursos concluídos. É a disposição genuína de ir além do mínimo necessário, de tratar cada responsabilidade com seriedade, atenção e intenção. Num mundo onde o conhecimento está cada vez mais acessível e as ferramentas cada vez mais democratizadas, o comprometimento se torna justamente o diferencial mais escasso e mais valioso. Ele não aparece no currículo, não é certificado por nenhuma plataforma e não pode ser simulado por muito tempo. Comprometimento é, antes de qualquer coisa, uma postura, e é uma postura que se revela no dia a dia, nas entregas pequenas, nas escolhas invisíveis que ninguém está observando, e é exatamente aí que os melhores se destacam.
