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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Cuide da sua Tartaruga » esse texto não é sobre tartarugas!

 


A forma como trabalhamos tem passado por transformações profundas, do fordismo às tecnologias mais recentes. A cada ciclo, novas metodologias, ferramentas e formatos são introduzidos no mercado de trabalho, e nós, profissionais, precisamos nos adaptar para continuar entregando resultados e valor. Esse processo de aprendizado contínuo deixou de ser opcional: é condição de relevância. Como exemplos práticos, podemos citar: Inteligência Artificial, Indústria 4.0, Agilidade, Globalização, Internet das Coisas (IoT), entre tantos outros que poderiam continuar essa lista.

Entretanto, todos esses avanços são extensões da nossa capacidade de executar, ou seja, podem ser considerados “formas” de fazer que oferecem mais eficiência e eficácia durante o processo. Vamos a uma breve analogia: imaginemos que, durante a Idade Média, um marceneiro inventasse a serra elétrica (imaginária, lembre-se!). Com a serra, a marcenaria mais que quintuplicou a entrega de móveis. Os concorrentes, automaticamente, também quiseram adotar a novidade para alcançar os mesmos resultados. Alguma correlação com os dias atuais?

Só que os marceneiros concorrentes simplesmente receberam a nova ferramenta com diretrizes básicas para começar a usá-la. É aqui que entra a tartaruga!

Imagine que a incumbência de utilizar a serra para produzir mais seja transmutada em uma tartaruga. Se qualquer um de nós recebesse uma tartaruga para cuidar, qual seria a primeira coisa a fazer para ter sucesso nessa empreitada de “Pai de Pet”? Diria, com toda a convicção, que seria entender como cuidar de uma tartaruga: o que ela precisa para sobreviver, o que ela come, o que ela não gosta, como ela “funciona”. Enfim, informações que facilmente comporiam um Manual de Instruções. Ter domínio desse conhecimento é o básico do básico. E, ainda assim, apostaria que boa parte das pessoas já tropeçaria nessa primeira etapa.

Mas vamos continuar com os demais que estão aptos para cuidar da tartaruga. Mesmo tendo o domínio do conhecimento sobre o que precisa ser feito para garantir a longa vida desse réptil, qual seria a habilidade essencial para aumentar ainda mais essa garantia? Eu apostaria que é o comprometimento. Comprometer-se com a atividade de cuidar da Tag (sim, resolvi dar um nome a ela 😉) proporciona um resultado verdadeiramente eficiente: além do conhecimento técnico, estaremos atentos aos sinais, detalhes e condições que direcionam nosso cuidado. Se a Tag resolver dar um passeio, a acompanhamos para garantir sua segurança. Se ela tentar comer algo impróprio, estamos lá para evitar. Enfim, estaremos no controle da situação, e é aí que a maioria fica pelo caminho.

Voltando à Idade Média: qualquer marceneiro que desejasse utilizar a serra como ferramenta de aumento de produtividade precisaria estar comprometido com sua utilização para garantir resultados eficientes. E voltando à nossa realidade: ter o domínio de qualquer nova metodologia, ferramenta ou tecnologia é apenas metade do caminho. Para conquistar o controle com eficiência e eficácia, precisamos estar genuinamente comprometidos com a atividade-fim. Ou seja: dedicar-se de verdade a cuidar da nossa tartaruga, para que ela viva muitos e muitos séculos, mesmo que nossa responsabilidade seja apenas uma parcela dessa vida.

No fim, o que separa o profissional mediano do profissional de referência não é o acesso à melhor ferramenta ou o maior volume de cursos concluídos. É a disposição genuína de ir além do mínimo necessário, de tratar cada responsabilidade com seriedade, atenção e intenção. Num mundo onde o conhecimento está cada vez mais acessível e as ferramentas cada vez mais democratizadas, o comprometimento se torna justamente o diferencial mais escasso e mais valioso. Ele não aparece no currículo, não é certificado por nenhuma plataforma e não pode ser simulado por muito tempo. Comprometimento é, antes de qualquer coisa, uma postura, e é uma postura que se revela no dia a dia, nas entregas pequenas, nas escolhas invisíveis que ninguém está observando, e é exatamente aí que os melhores se destacam.

domingo, 7 de março de 2021

Mindfulness com Origami

 

Você com certeza já ouviu falar de Mindfulness, esse termo pode ser traduzido de forma livre para “Atenção Plena”, ou seja, é o ato de se concentrar fortemente numa tarefa no momento atual para que você utilize todo o seu potencial para executá-la.

Os benefícios da utilização dessa concentração são vários, entre os principais voltados para área de tecnologia são: mente aberta, confiança, desapego, aceitação e o principal paciência. Estamos vivendo uma época em que somos constantemente bombardeados dos mais diversos estímulos, e caso não tenhamos controle e consciência estaremos sempre se “perdendo” num mar de pensamentos, e sabendo que o pensamento é nossa principal ferramenta de trabalho, é fundamental que possamos ter nossa mente focada para gerar ideias com qualidade.

Existem algumas maneiras de praticar o estado de atenção plena, a mais conhecida é a através da prática de meditação, entretanto num ambiente de trabalho, caso não exista um espaço que ofereça essa possibilidade, fica muito mais difícil. Outra forma é através da respiração cadenciada, ou seja, através do controle da inspiração e expiração podemos induzir o estado, contudo é necessário um tempo longo para completar o ciclo. 

Uma forma bem interessante e simples e que pode ser utilizada em qualquer lugar, hora e ambiente, é executar dobraduras, mais conhecidas como origami. Origami é uma arte milenar japonesa de representar elementos naturais através de dobras em folhas de papel utilizando somente as mãos, sem cortá-la ou colá-la. Quem assistiu a série “La Casa de Papel” deve lembrar que quando o professor entrava em negociação com a polícia, ele pegava uma folha de papel e iniciava a dobradura de origami, isso porque essa ação lhe obrigava a manter a sua mente no momento atual. 

Efetuar a dobradura de um origami pode aumentar nossa atenção plena de forma simples. Iniciar uma dobradura exigirá somente uma folha de papel e pode ser executada em qualquer local e qualquer situação, seja numa reunião, numa palestra, ou em sua mesa. Durante o processo de dobradura sua mente estará sendo "obrigada" a se colocar no momento presente, para executar o próximo passo, com isso ela não consegue escapar para o passado ou futuro.  Todo origami é único, ou seja, isso irá lhe treinar a abandonar o perfeccionismo, a autocrítica ou o autojulgamento. O ato da dobradura pode ser considerado uma micro meditação, porque você está completamente envolto no processo e dentro do aqui e agora. O origami também força a desaceleração, porque o ato de dobrar o papel em formas predeterminadas deve ser feito com paciência e consideração. Por fim, ao final da dobradura você poderá compartilhar com outras pessoas o resultado, tanto o origami, como a forma de fazer, criando assim conexão.

Como iniciar? Simples! Escolha um modelo de origami, eu recomendo um Tsuru, por conta da quantidade de dobras, exigirá de seu cérebro uma concentração maior para lembrar os passos, abaixo vou deixar um passo a passo, execute algumas vezes até decorar os movimentos. Toda vez que você for iniciar uma atividade que precise aumentar sua atenção, inicie a dobradura do origami, naturalmente seu cérebro irá se adaptar após a execução e lhe prover mais potencial em foco na atividade subsequente. E claro, pratique sempre, pois através da repetição o estado gerado pelo Mindfulness será mais facilmente acessado a cada nova sessão.



Marcelo Goberto de Azevedo 

Arquiteto na GFT Brasil

//marcelogoberto.com.br


sábado, 12 de setembro de 2020

Um Programador Mais Eficiente

Um desenvolvedor, também conhecido popularmente como programador ou ainda, engenheiro de software, ou para o mais hipster, coder. É o responsável por organizar códigos e linguagens de programação dentro da tecnologia da informação. Em todos anos que não seja bisexto comemoramos o Dia do Programador no dia 13 setembro e nos anos bisextos no dia 12 setembro, isso porque a data é celebrada no 256º dia do ano.

Gostaria de elencar algumas dicas que podem ajudar qualquer desenvolvedor a aumentar sua eficiência na entrega de código, vou fazê-la por ordem de grandeza na minha opinião:

  1. KISS, não é banda de rock, é um acrônimo para “Keep it simple, stupid”, que em bom português fica “Mantenha isto simples, estúpido” , pode parecer um pouco agressivo, entretanto é muito válido, porque você iria criar complicado, se é você mesmo amanhã que irá ter que dar manutenção! Pegou?

  2. Comente com riqueza e qualidades todos códigos, seja um facilitador da vida das próximas gerações de desenvolvedores, que quando tiverem contato com esses códigos eles lhe farão agradecimentos em memória.

  3. Nunca, jamais, em tempo algum, despreze testes únicos, esses são de total responsabilidade de um desenvolvedor e são eles que vão garantir sua paz no futuro, acredite.

  4. TDD, acredite, parece difícil, complicado, trabalhoso demais, mas, uma vez que você se apropria, todos os seus problemas acabam antes mesmo da codificação.

  5. Aproprie-se da solução primeiro, antes de sair escrevendo código, um parêntese, o TDD te força a saber antes de fazer.

  6. Coma SOLID com farinha no café da manhã, no almoço e no jantar, até que este conceito faça parte de você, isso irá garantir uma excelência na sua entrega.

  7. Quando for utilizar algo externo, adquirida domínio do conhecimento de sua utilização, isso irá economizar longas horas tentando, além de mostrar o caminho para melhor aplicação.

  8. Utilize o google, “Stack Overflow”, programação em par, você não é uma ilha e pode conseguir ajuda em muitos lugares, entrentanto, aprenda com essas oportunidades.

  9. 99% dos problemas de tecnologia tem solução, muitas vezes não enxergamos na hora é porque estamos demais envolvidos por ele, aprenda a praticar pausas estratégicas para dar um tempo para o cérebro absorver, processar e encontrar possíveis soluções. 

  10. Pode parecer piegas, mas é a realidade, escrever código no fundo é uma arte, a arte de organizar os comandos para que se executem com harmonia resultando numa linda sinfonia, ou seja, tenha paixão por cada nota.

Nesta data tão especial temos muito que comemorar, pois agora existem outros cargos e  funções no cenário de tecnologia, como arquiteto de soluções, designers de interface, gerente de projetos, cientista de dados, DBAs, engenheiro de redes, entre outros que compartilham conosco o título de “Menino(a) do Computador”.



Marcelo Goberto de Azevedo 

Arquiteto na GFT Brasil

//marcelogoberto.com.br


sábado, 5 de setembro de 2020

Aprendendo com Coding Dojo



Todo aquele que precisa executar uma prática que exige conhecimento de movimentos específicos para alcançar resultados esperados, tem que ter um espaço seguro e confiável para treinar e aplicar cada movimento, seja novo ou conhecido e além de ter um ou mais mestres para orientar e também avaliar a performance da aplicação do aprendizado. Tá, mas o que isso tem há ver com tecnologia? Tudo meu pequeno padawan, os desenvolvedores também precisam ter um espaço seguro e confiável para treinar e melhorar suas habilidades, esse local é Coding Dojo.

A palavra Condig é o termo em inglês para “programando” ou “gerando código”, já a palavra Dojo, (pronuncia-se Dojô) é uma palavra de origem japonesa e significa “local de treinamento”. Logo, o Coding Dojo nada mais é que do um “local de treinamento de código”.

Esse espaço tem como suas principais características ser um ambiente colaborativo, que estimula o aprendizado de forma divertida e principalmente sem nenhum tipo de competitividade entre os participantes. Existem três modalidades:

Randori

Esse é o formato mais “tradicional” por que todos participação, no início o mestre da sessão propõem um desafio a ser resolvido e todos os participantes deverão resolvê-lo utilizando uma única máquina, utilizando o sistema de rodízio de pares. Neste par existirá um piloto que irá operar a máquina e o copiloto que irá auxiliá-lo, a plateia neste momento só acompanha, a cada tempo de minutos pré-definidos previamente, o copiloto virá piloto e alguém da plateia se torna o co-piloto. Se utilizado o TDD a plateia somente poderá efetuar interrupções quando todos os testes estiverem verde. Importante, o mestre pode servir como um consultor da tecnologia e não dá solução do problema. Ao final todos devem entender a solução, pois durante toda a sessão o piloto e copiloto devem estar sempre narrando seus pensamentos.

Kata

Aqui o mestre assume a postura de palestrante, ele irá demonstrar o problema e já partir para aplicação da solução, que pode estar parte pré desenvolvida e ser complementa durante a sessão. Todos os participantes podem a qualquer momento efetuar interrupções para expor dúvidas. O resultado final é que todos ao final devem ser capazes de efetuar a implementação da solução. 

Kake

Muito parecido ao Randori, a principalmente diferença é que não existe um rodízio de pessoas, e sim de duplas, cada dupla trabalha em sua máquina e ao fim do turno as duplas trocam de máquinas e continuam o desenvolvimento da dupla anterior, esse ambiente exige mais conhecimento avançado da tecnologia ensinada.

Benefícios

A utilização do Coding Dojo em um ambiente corporativo aumenta o engajamento do time de desenvolvimento, estimula a aquisição de novos conhecimentos e principalmente desenvolve os valores dos profissionais participantes:

  • Participação: Exemplifica a importância da participação de todos na resolução do problema, porque todos podem opinar.

  • Cooperação: O problema tente a ter uma solução melhor e mais rápida com a colaboração entre todos, pois vários aspectos são levados em conta por conta da experiência pessoal de cada participante.

  • Coragem: Estimula a coragem de enfrentar novos desafios, pois o ambiente sendo seguro até o mais tímidos ganham espaço e oportunidade para praticar a interlocução de suas ideias, sem o julgamento do dia a dia.

  • Simplicidade: Como existem vários níveis de experiências entre os participantes, a simplicidade é importante ser mantida para que todos estejam avançado em conjunto, porque é vital que ao final todos estejam treinados para implementação a solução.

  • Respeito: Esse valor é muito praticado, porque todos os participante devem respeitar a proposta de solução de um problema, porque todos acabamos aprendendo que existem várias formas de resolver um problema.

Sempre ao final do Coding Dojo é importantíssimo a execução de uma breve retrospectiva pelo responsável para verificar se os principais objetivos foram alcançados, porque além de ser ambiente de ensinamento seguro, é também altamente adaptável ao público, ou seja, caso os resultados não estejam sendo satisfatório, podemos adaptar o formato para facilitar a aplicação do conhecimento.

Onde Treinar?

Aqui na GFT praticamos a cada 15 dias em sessões online, elas são abertas para todos participarem, basta acessar o atalho abaixo, escolher o melhor dia e horário para você praticar conosco.

https://www.meetup.com/GFTBrasil

Oss

Marcelo Goberto de Azevedo 

Arquiteto na GFT Brasil

//marcelogoberto.com.br


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Evolução da Arquitetura de Software

Evolução da Arquitetura de Software


A cada época é possível escolher a "melhor" arquitetura a ser usada, porém como saber qual é a melhor de verdade? Essa pergunta sempre persegue os arquitetos e desenvolvedor no dia a dia, porque são tantas opções e opiniões que na maioria das vezes simplesmente escolhemos a opção mais utilizada no mercado atual.

Definitivamente o ponto mais importante na escolha de um modelo de arquitetura, é o domínio da mesma. Não adianta nada escolher algo que estão em alta no mercado, porém não se tem um profundo conhecimento do seu funcionamento, configurações e características. você estará provavelmente incorrendo em grande chances de perder o controle e gerar problemas futuros, por falta de domínio da arquitetura.

O primeiro passo para escolher a arquitetura é conhecer teoricamente seu modelo. Hoje o acesso ao conteúdo é vasto, simples e muito fácil, afinal a internet está ai para isso, porém importante descartar, é que estudar não é simplesmente achar uma solução, copiar, colar e testar, o conceito de estudar é tomar para si conhecimento e saber utilizá-lo na obtenção de resultado com ciência de seu funcionamento.

Com o conhecimento técnico adquirido, o próximo passo é efetuar a prática do modelo, por que ela irá lhe atribuir outros conhecimentos além da teoria, a cada nova implementação você terá a oportunidade de realizar o conhecimento, a possibilidade de descobrir novos pontos que aumentaram sua confiança na utilização da referida arquitetura, aumentando seu nível de experiência.

Por fim, compartilhar esse conhecimento, na maioria das vezes, é praticamente impossível ter todos os conhecimentos e nuances sobre uma solução. Pelo meio do compartilhamento podemos preencher essas pequenas lacunas com a experiência alheia e ainda, fornecer informações para que outros possam acelerar seu processo de maturação. Ou seja podemos fomentar melhores profissionais criando um ambiente corporativo com mais qualidade.

E claro, mesmo que você tenha o autoridade sobre um ou mais modelo de arquitetura, nunca se esqueça que, em tecnologia o "melhor" de hoje, inevitavelmente se tornará o "obsoleto" no amanhã. Por isso jamais deixe de continuar adquirindo conhecimento, experimentando novos modelos, por assim além de um arquiteto de completo,  você se tornará um grande profissional com o perfil dinâmico.

Marcelo Goberto de Azevedo 
Arquiteto na GFT Brasil

https://marcelogoberto.blogspot.com/