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quarta-feira, 16 de abril de 2025

Gestão do Conhecimento: Uma Abordagem a Partir da Ciência da Informação

 


Introdução

A Gestão do Conhecimento (GC) é um campo multidisciplinar que emerge da necessidade de lidar de forma estratégica com a informação e o conhecimento nas organizações e na sociedade. No contexto da Ciência da Informação (CI), a GC ocupa papel central, articulando métodos, técnicas e fundamentos que visam transformar informação em conhecimento útil, acessível e aplicável.

Este artigo busca discutir a Gestão do Conhecimento explorando seus fundamentos, objetivos, processos e impactos na construção de saberes, com foco na aplicação social e coletiva.


A Informação como Base do Conhecimento

Segundo o mapa conceitual, a informação é compreendida como a força construtiva da sociedade, atuando como fonte e insumo do conhecimento. Tudo pode ser informação – dados, documentos, objetos ou eventos – desde que situados em um contexto apropriado.

A Gestão do Conhecimento se apropria dessa visão ao tratar a informação como recurso estratégico. O processo de transformar dados e informações em conhecimento envolve:

  • Armazenamento

  • Recuperação

  • Disseminação

  • Processamento

Essas funções são mediadas pela conexão com o usuário e têm como objetivo resolver problemas da informação de forma eficiente.


Finalidade e Propósito da Gestão do Conhecimento

A Gestão do Conhecimento visa habilitar a geração de conhecimento de forma estruturada e colaborativa. Sua atuação está centrada no coletivo social, com enfoque sócio-cognitivo, destacando-se como instrumento de desenvolvimento humano e organizacional.

Esse propósito está alinhado com os objetivos centrais da Ciência da Informação:

  • Investigar as propriedades e comportamentos da informação

  • Transmitir conhecimento para aqueles que necessitam

  • Organizar, gerir e explorar informação


Abordagem Interdisciplinar e Tecnológica

A CI é uma ciência interdisciplinar, construída com base em saberes oriundos de áreas como:

  • Biblioteconomia

  • Ciência da Computação

  • Ciência Cognitiva

  • Comunicação

Na GC, essa interdisciplinaridade permite integrar tecnologia da informação (TI) às estratégias de gestão, respondendo às mudanças na sociedade da informação e ampliando as possibilidades de comunicação, construção e compartilhamento do conhecimento.


Processos da Gestão do Conhecimento

A GC envolve múltiplas etapas interligadas que formam um ciclo contínuo:

  1. Captura do conhecimento: identificação de fontes internas e externas.

  2. Organização e classificação: aplicação de metodologias para estruturar o conhecimento.

  3. Armazenamento: utilização de bases digitais e repositórios.

  4. Compartilhamento: disseminação através de redes colaborativas.

  5. Aplicação: uso do conhecimento em processos decisórios e operacionais.

  6. Avaliação e retroalimentação: revisão e aprimoramento contínuo.

Esses processos requerem tanto técnicas manuais quanto mecânicas, e devem ser orientados para o fluxo e uso da informação, conforme destacado no mapa.


Contribuições Teóricas

Entre os pensadores que contribuíram para os fundamentos da Ciência da Informação – e, por extensão, da GC – destacam-se:

  • Paul Otlet e Vannevar Bush, pioneiros na organização do conhecimento.

  • Harold Borko, que define a CI como campo interdisciplinar.

  • Tefko Saračević, com estudos sobre relevância e recuperação da informação.

  • Michael K. Buckland e Birger Hjørland, com abordagens sociocognitivas e epistemológicas.

Esses autores influenciam diretamente os princípios que regem a Gestão do Conhecimento nas organizações contemporâneas.


Considerações Finais

A Gestão do Conhecimento, ancorada na Ciência da Informação, representa uma resposta estratégica às demandas da sociedade contemporânea por eficiência informacional, inovação e inteligência coletiva. Ao considerar a informação como matéria-prima fundamental para a geração de conhecimento, a GC promove um ciclo virtuoso de aprendizado e transformação.

Na era da informação, gerir o conhecimento é mais do que uma vantagem competitiva: é uma necessidade vital para organizações, instituições e comunidades que desejam evoluir de forma sustentável e colaborativa.

Faça o download do Mapa Conceitual da Ciência da Informação

https://drive.google.com/file/d/1qUcME4x5qJ8CMcrRaWkvu_4boGGR3rT1/view?usp=sharing

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Do Monólito ao Micro Serviço

 

Praticamente todas as empresas possuem aplicativos que foram construídos para solucionar seus problemas internos e esses foram, em sua maioria, construídos incorporando o máximo de funcionalidades possíveis para que atendessem o maior número possível de requisitos do negócio. Isso gerou grandes blocos, conhecido como monólitos, que precisam ser geridos do ponto de vista de manutenção, estrutura, estabilidade e principalmente evolução. Com as diversas necessidades de atualizações, essas aplicações têm se transformado cada vez mais em obstáculos do que facilitadores do processo, um exemplo,  simples implementação de uma regulamentação, como a LGPD, começou a exigir esforços gigantescos para sua concretização, isso tudo porque existe um alto grau de complexidade para essa manutenção.

E usando este ponto como partida, é que normalmente começa a jornada de transformação de uma aplicação, porque qualquer um que seja da área de tecnologia, já ouviu falar dos micro serviços, seja do seu conceito, dos benefícios, das referência de mercado ou até mesmo dos resultados de sua implementação que facilitam as adaptações às mudanças. Entretanto, essa jornada exige requisitos mínimos para garantir seu sucesso, entre eles, domínio do processos de negócios, mapa de contexto, definição de padrões, arquitetura de referência, abordagem DevOps e mais importante a observabilidade dos KPIs, logo diante de tantos requisitos, a simples incorporação dessa transformação se torna arriscada sem planejamento, e estando as empresas migrando para o modelo ágil se faz necessário algum plano antes da ação. Listamos algumas estratégias que podem guiar na obtenção dos requisitos em tempo de execução, ou seja, criar um plano de vôo em tempo de vôo.

Comece Algo Novo com o Novo


Sempre que uma aplicação monolítica necessitar de uma nova funcionalidade você deverá criar um micro serviços para atendê-la e não incorporá-la ao seu monólito, entretanto sabemos que a maioria das funcionalidades com certeza se utilizarão de informações essenciais  da aplicação, para isso devemos criar uma interface entre o micro serviço e a aplicação, também conhecida como "Glue Code", que nada mais é que um código para unificar ambos sistemas, que poderá no futuro ser trocado ou ajustado, além de oferecer uma barreira de segurança para que o micro serviço incorpore comportamentos e conceitos do legado. No diagrama abaixo exemplificamos a arquitetura sugerida.


A implementação de novas funcionalidades como micro serviços fará com que seu monólito não cresça mais e ao mesmo tempo oferecerá oportunidades de surgirem novas estruturas independente e acopláveis.

Separe as Camadas

Pensar em separadas as camadas de apresentação das de lógicas e acesso a dados oferecerá uma estratégia para encolher sua aplicação monolítica e muitas informações da situação atual. A ideia é simplesmente separar em um ou mais interface, sendo uma delas, o front-end e as demais em back-ends, preferencialmente em formato de API. Uma vez separados, o front-end irá fazer chamadas remotas ao back-end, o diagrama abaixo mostra essa transformação. 

Pode parecer puro retrabalho visto que estamos somente fazendo uma separação física, porém após essa estratégia, você terá várias API que poderão ser consumidas por outros sistemas e que ainda oferecerão estruturas isoladas que facilitarão a manutenibilidade, além de poder escalar separadamente os recursos para suas execuções.

Essas são algumas estratégias iniciais que podem oferecer o primeiro passo para iniciar essa transformação, oferecendo ao longo da sua implementação insumos e conhecimentos iniciais para contextualização do caminho que será necessário para atingir a maturidade na utilização de micro serviços. 


Marcelo Goberto de Azevedo 

Arquiteto na GFT Brasil

//marcelogoberto.com.br