quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Iniciando com Gerenciamento de Custos da Nuvem com FinOps


As organizações estão cada vez mais acelerando a utilização da nuvem como vantagem competitiva em seus produtos. Conforme uma pesquisa realizada pela Rakuten SixthSense CIO Challenges, 77% dos líderes de TI consideram a utilização de novas tecnologias, como a nuvem, uma forma de garantir a continuidade do sucesso de suas organizações. Em 2023, existe a previsão de um aumento considerável na demanda por utilização de serviços em nuvem, principalmente porque todas as organizações estão sofrendo transformações em seus núcleos de negócio com foco no digital.

Os serviços de nuvem possuem um modelo de precificação mais flexíveis e principalmente mais justos em relação ao custo benefício oferecido, entretanto sua granularidade e múltiplos formatos podem comprometer uma operação elevando os custos para níveis muito altos. Em muitos casos, é muito simples exponenciar os custos de R$ 1 para R$ 100 mil em alguns poucos dias, e ainda, podemos incluir nesta complexidade a taxa de crescimento na criação de novos recursos por departamentos, em razão da automatização das entregas.

Com o intuito de habilitar as organizações no controle dos custos em nuvem, foi criado o modelo operacional FinOps, a principal função do modelo é criar entendimento em todos envolvidos com os custos dos recursos em nuvem, combinado as melhores práticas de gerenciamento dos custos, com a cultura da responsabilidade financeira, seja no modelo descritivo, prescritivo ou ainda, preditivo, gerando informações que facilitaram a tomada de decisões, aumentando o valor do negócio para a organização. 

Entretanto muitas organizações fracassam durante o processo dessa implementação da cultura FinOps por adotar algumas estratégias simplistas ou minimalista, vejamos algumas dessas:

Focar em Redução de Gastos

FinOps não trata sobre reduzir gastos com a utilização em nuvem, sua principal função é habilitar uma organização na melhor destinação sobre os valores investidos com serviços em nuvem para geração de valor aos seus produtos, popularmente conhecido como ROI (Retorno Sobre Investimentos). Gastar com serviços na nuvem não é sinônimo de gastar demais, somente quando efetuamos gastos desnecessários, como por exemplo, recursos sem utilização, super dimensionamento de recursos, funcionalidades desnecessárias, entre outras tantas razões, é que nossos gastos se tornam um problema. FinOps irá garantir que cada centavo gasto em nuvem estará sendo acompanhado e avaliado se esse valores investidos estão retornando como valor agregado, garantindo assim uma máxima eficiência do ROI.

Um único time

FinOps precisa ter domínio de múltiplos assuntos, começando pelo conceitos financeiros, passando por gerenciamento por demanda, envolvendo operações de TI com DevOps, participação decisória de executivos e diretores de vários níveis. Por isso é importante que o time de FinOps tenha interseção com vários times dentro da organização, para garantir que o conjunto desses times seja multifuncional e consiga oferecer todas as perspectivas possíveis para garantir a entrega de valor agregado alinhado com os objetivos de negócio da organização.

Falta de Transparência

Um dos maiores entregáveis de FinOps são seus relatórios que através de números conseguem oferecer muitas informações e ideias dos caminhos que estão sendo traçados e possibilidade de predição de caminhos futuros, assim como identificação de possíveis desvios e falhas. A maioria das organizações acaba criando mecanismos para evitar a disseminação de números, que consideram sigiloso e que possam oferecer uma visão geral e panorâmica de seus negócios, entretanto os números dos gastos com nuvem devem ser tratados como públicos dentro da organização, principalmente com o propósito de criar uma responsabilidade coletiva dos gastos, sendo assim, será impossível essa habilitação de transparência sem que os relatórios sejam transparentes e acessíveis facilmente por todos envolvidos na cadeia dos produtos da organização.

FinOps é um Processo Simples

Muitas vezes a implementação da cultura FinOps surge da necessidade urgente de redução de custos em curto prazo, normalmente é criada uma força tarefa que irá executar ações para avaliar e identificar os recursos que podem ser reduzidos ou descontinuados gerando resultados rápidos. Entretanto, essa é somente uma ação que FinOps permeia, existem muitas tarefas e ações que devem ser realizadas dentro de um ciclo que irá garantir que a adoção da cultura FinOps seja um processo contínuo e altamente eficiente na questão de gerenciamento de custos.

O FinOps é uma jornada que necessita ser trilhada com uma boa estratégia, para garantir que os passos sejam firmes, consistentes e principalmente constantes. Por se tratar de uma cultura, é necessário que todos estejam cientes e comprometidos com o plano para geração de resultados para organização.

No livro “O Caminho das Pedras da Cultura FinOps” procuro oferecer um caminho com ideias de tarefas e ações que poderão compor um plano personalizado para as organizações na adoção da cultura FinOps, garantindo um processo aderente e condizente com a maturidade da organização e com foco no tamanho dos times que podem ser disponibilizados para iniciar o desenho do plano na implementação da cultura FinOps que resultará na habilitação da inovação através da nuvem com eficiência de gastos, que vão além da lucratividade. 


Marcelo Goberto de Azevedo 

Cloud Leader na GFT Brasil

//marcelogoberto.com.br


terça-feira, 18 de outubro de 2022

Paleta de Cores Sustentável

Os temas que envolvem sustentabilidade englobam cada vez mais setores dos mais variados portes de organizações. Além da questão da sobrevivência e da qualidade de vida dos habitantes do planeta, os consumidores estão cada vez mais interessados em escolher produtos de organizações que estejam conscientes em relação ao seu comportamento diante de aspectos sociais, ambientais e de governança, a famosa sigla ASG (ESG em inglês).

E, como não poderia ser diferente, o setor de TI está cada vez mais se tornando foco em discussões. A área investe em planos de ações para reduzir a pegada de carbono, contribuindo para a redução das interferências nas mudanças climáticas.

Outro fator que promove o foco de sustentabilidade em tecnologia é a sua atual velocidade de expansão. Atualmente, inúmeros setores estão adicionando soluções baseadas em tecnologia e acelerando rapidamente na sua adoção e extensão de mais serviços e produtos digitais. Neste contexto, se faz necessário que ações sejam implementadas com foco em atingir a maior escala possível dos resultados, gerando assim um impacto massivo e de larga escalabilidade.

Atualmente na loja do Android, existem mais de 3 milhões de aplicativos disponíveis para download. Já o número de website está em torno de 1.169.621.187, de acordo com a pesquisa de servidores da Web de março de 2022 da Netcraft. Cada um desses sistemas oferece várias telas para que seus usuários possam interagir, consumindo informações, registrando transações, trocando mensagens, entre outras tantas funcionalidades.

O consumo de energia dos dispositivos com tela desses eletrônicos, sejam smartphones, computadores, notebooks, Smart TVs, entre outros, é gigante. Muitos desses aparelhos apresentam a funcionalidade de economizar energia por meio de padrão de cor, com as telas OLED (Organic Light-Emitting Diode) que detém a capacidade de desligar um simples ponto (pixel) quando a ausência de qualquer cor é detectada, ou seja, a cor preta.

A diminuição do consumo médio energético nesses dispositivos pode ser de 10% de economia, além de aumentar a vida útil da bateria até 47%, no caso dos smartphones e notebooks.

Muitas organizações que desenvolvem aplicativos, já estão oferecendo uma versão “escura” de suas telas para possibilitar essa economia de energia e bateria, que também é aliada em oferecer outros benefícios diretos para os usuários, como: melhoria na experiência realçando os destaques de elementos importantes, redução de desconforto visual por longos períodos de exposição a claridade artificial, assim como a redução da fadiga ocular pela diminuição do brilho.

Através de um estudo realizado por Jon Doucette, da Jonathan Design, Jon apresentou uma paleta de cores chamada EMERCY-C composta com seis opções de cores, sendo elas:


  • #822007 » Vermelho Enferrujado
  • #000000 » Preto
  • #b2bbc0 » Azul Cinza
  • #19472a » Verde Floresta
  • #3d414c » Cobalto
  • #ffffff » Branco

Essa paleta de cores, quando utilizada, gerará um consumo superior em apenas 4% em comparação a uma tela completamente preta. Uma pequena ressalva, a cor branca só deve ser usada para pequenos destaques.

Essa base de cores pode ser utilizada para geração da versão escura, ou facilmente como a versão final do aplicativo ou site, agregando assim todos os benefícios para a experiência do usuário e implementando o foco sustentável.

Originalmente publicado no blog da GFT

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Sustentabilidade com Gerenciamento de Custos da Nuvem


  

A grande maioria dos países, organizações e líderes do planeta estão comprometidos para que em 2050 seja alcançado a meta de zerar a emissão de carbono em nosso planeta. Para que esse grande desafio seja atingido temos duas grandes frentes, a primeira é obviamente reduzir a emissão de gás carbônico na natureza e a segunda é aumentar as fontes que podem neutralizar os gases emitidos.

 

Apesar de todos os esforços até o momento, durante a Cúpulas da Américas realizada em junho de 2022, um índice apresentado pela Universidade de Yale e Columbia (EUA), constatou que somente dois países (Dinamarca e a Grã-Bretanha) estão no caminho no certo, os demais precisam intensificar suas ações para o atingimento da meta até meados do século.

 

As organizações podem ter um papel colaborativo nesse processo. A adoção da nuvem pelo seu incrível poder e flexibilidade de habilitar produtos e serviços rapidamente, muniu as organizações com um poder inovação inimaginável, entretanto a mesma facilidade tem se tornado um problema para gerenciamento de eficiência energética, porque acabamos tornando intangível os consumos energéticos dos recursos em nuvem, diferentemente quando as organizações mantinham seus parques tecnológicos fisicamente.

 

Com o propósito de tangibilizar esses números, seja do consumo energético, como da metrificação da emissão de CO2 baseados nos recursos utilizados, os provedores de nuvem criaram relatórios, calculadoras e dashboards que oferecem uma visão bem detalhada. Neste outro artigo falamos mais sobre essas ferramentas [https://blog.gft.com/br/2022/05/03/calculando-o-impacto-de-carbono-do-seu-uso-da-nuvem] e como utilizá-las em suas contas.

 

Uma organização em posse dessas informações, já pode começar a montar um plano de implementação de eficiência energética de seus recursos. As formas mais rápidas e simples normalmente são:

 

Aferição de recursos provisionados e sem utilização - Muitas vezes recursos são criados para determinadas atividades com começo, meio e fim, como por exemplo, provas de conceitos, ambientes de desenvolvimento, contudo muitos são esquecidos de serem eliminados e continuam ativos gerando custos e consumo energético.

 

Super dimensionamento de máquinas ou instâncias - Com a facilidade de dimensionamento de instâncias para utilização, muitas vezes baseados em experiência anteriores com receio que os recursos não sejam suficientes, acabam por alocar mais memórias, espaço, processamento para garantir a estabilidade dos produtos. Porém, na maioria das vezes essa disposição de recursos não acaba sendo utilizada em sua plenitude, gerando gastos e consumo energético extra.

 

Retenção de dados desnecessárias - O volume de dados coletados e armazenados tem apresentado um curva de ascensão cada vez maior, por consequência direta esses dados ficam armazenados gerado custos, existem duas maneiras de efetuar uma redução, seja pela mudança de camada de armazenamento mais baratas, como também a destruição dos dados que perdem sua validade para o negócio.

 

Replicação de dados irrelevantes - Atualmente a maneira mais eficiente de garantir a qualidade de um dados é replicá-lo em vários locais, criando assim várias cópias dele mesmo e possibilitando sua recuperação em quase de perda, entretanto não são todos os dados que necessitam desse mecanismo, principalmente informações não produtivas.

 

Manutenção de recursos disponíveis em janela de tempo sem utilização - Nem mesmo todas as máquinas trabalham 24 x 7, sejam elas para serem utilizados por pessoas ou rotinas programas, na maioria das vezes somente em algumas janelas de tempo é necessário sua disponibilidade, logo é fundamental que fora desses intervalos essas mesmas sejam pausadas ou até mesmo desprovisionados, até a próxima janela de necessidade.


Essas são algumas ações que uma vez implementadas irão gerar uma redução drástica na emissão de gás carbônico proveniente da utilização de energia nos recursos da nuvem. Ainda podemos acrescentar neste cenário a utilização de inteligência artificial para analisar nossos ambientes, seja na nuvem ou locais, para oferecer recomendações de correto dimensionamento, como também configuração eficiente de escalabilidade da arquitetura.

 

Através desse processo de implementação de uma estratégia corporativa de sustentabilidade para seus recursos, já estaremos habilitando a nossa organização para dar seus primeiros passos no mundo de gerenciamento de custos de nuvem, também conhecido como FinOps. Isso quer dizer, podemos gerar corte de gastos que podem ser revertidos para ações visando o aumento da neutralidade de emissão de gás, como apoio a projeto e organizações que reflorestam áreas.

 

A unificação de Green Conding com FinOps habilitará uma cultura de responsabilidade ambiental, como também promoverá uma maior transparência dos custos. Ou seja, alocar de forma eficiente os recursos financeiros de uma organização é também reduzir sua pegada de carbono, tudo isso acaba se interligando e gerando mais um motivo para adoção do modelo de sustentabilidade em tecnologia, principalmente em relação aos recursos em nuvem.