segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Do Monólito ao Micro Serviço

 

Praticamente todas as empresas possuem aplicativos que foram construídos para solucionar seus problemas internos e esses foram, em sua maioria, construídos incorporando o máximo de funcionalidades possíveis para que atendessem o maior número possível de requisitos do negócio. Isso gerou grandes blocos, conhecido como monólitos, que precisam ser geridos do ponto de vista de manutenção, estrutura, estabilidade e principalmente evolução. Com as diversas necessidades de atualizações, essas aplicações têm se transformado cada vez mais em obstáculos do que facilitadores do processo, um exemplo,  simples implementação de uma regulamentação, como a LGPD, começou a exigir esforços gigantescos para sua concretização, isso tudo porque existe um alto grau de complexidade para essa manutenção.

E usando este ponto como partida, é que normalmente começa a jornada de transformação de uma aplicação, porque qualquer um que seja da área de tecnologia, já ouviu falar dos micro serviços, seja do seu conceito, dos benefícios, das referência de mercado ou até mesmo dos resultados de sua implementação que facilitam as adaptações às mudanças. Entretanto, essa jornada exige requisitos mínimos para garantir seu sucesso, entre eles, domínio do processos de negócios, mapa de contexto, definição de padrões, arquitetura de referência, abordagem DevOps e mais importante a observabilidade dos KPIs, logo diante de tantos requisitos, a simples incorporação dessa transformação se torna arriscada sem planejamento, e estando as empresas migrando para o modelo ágil se faz necessário algum plano antes da ação. Listamos algumas estratégias que podem guiar na obtenção dos requisitos em tempo de execução, ou seja, criar um plano de vôo em tempo de vôo.

Comece Algo Novo com o Novo


Sempre que uma aplicação monolítica necessitar de uma nova funcionalidade você deverá criar um micro serviços para atendê-la e não incorporá-la ao seu monólito, entretanto sabemos que a maioria das funcionalidades com certeza se utilizarão de informações essenciais  da aplicação, para isso devemos criar uma interface entre o micro serviço e a aplicação, também conhecida como "Glue Code", que nada mais é que um código para unificar ambos sistemas, que poderá no futuro ser trocado ou ajustado, além de oferecer uma barreira de segurança para que o micro serviço incorpore comportamentos e conceitos do legado. No diagrama abaixo exemplificamos a arquitetura sugerida.


A implementação de novas funcionalidades como micro serviços fará com que seu monólito não cresça mais e ao mesmo tempo oferecerá oportunidades de surgirem novas estruturas independente e acopláveis.

Separe as Camadas

Pensar em separadas as camadas de apresentação das de lógicas e acesso a dados oferecerá uma estratégia para encolher sua aplicação monolítica e muitas informações da situação atual. A ideia é simplesmente separar em um ou mais interface, sendo uma delas, o front-end e as demais em back-ends, preferencialmente em formato de API. Uma vez separados, o front-end irá fazer chamadas remotas ao back-end, o diagrama abaixo mostra essa transformação. 

Pode parecer puro retrabalho visto que estamos somente fazendo uma separação física, porém após essa estratégia, você terá várias API que poderão ser consumidas por outros sistemas e que ainda oferecerão estruturas isoladas que facilitarão a manutenibilidade, além de poder escalar separadamente os recursos para suas execuções.

Essas são algumas estratégias iniciais que podem oferecer o primeiro passo para iniciar essa transformação, oferecendo ao longo da sua implementação insumos e conhecimentos iniciais para contextualização do caminho que será necessário para atingir a maturidade na utilização de micro serviços. 


Marcelo Goberto de Azevedo 

Arquiteto na GFT Brasil

//marcelogoberto.com.br


domingo, 15 de novembro de 2020

Benefícios de uma Solução MDM


Por conta da transformação digital, as maiorias das empresas estão cada vez mais conscientes que seus dados são um dos ativos mais importantes, a cada dia que passa o volume de dados aumentam exponencialmente e através da aplicação da metodologia Data-Driven, que basicamente é a utilização de dados para orientação de ações que geram novos dados que geram novas ações, logo se tornou essencial o gerenciamento de dados como um dos focos principais das organizações. Por conta dessa importância, podemos entender o quanto é vital para qualquer empresa, independentemente de seu tamanho,  um processo que envolva a coleta, sanitização, normatização, garantia de qualidade, governança e principalmente a transmissão dos dados entre todas as partes interessadas.

E é nesta solução desse problema que se encaixa perfeitamente um MDM, Master Data Management, em tradução livre ficaria, Gerenciamento de Dados Mestres. Essa solução fornecerá todos os requisitos mencionados anteriormente, como também a consolidação da oferta de dados em uma única fonte, que ofertará os benefícios: 

Qualidade dos Dados

No processo de coleta dos dados para transferência para o MDM é possível garantir através de regras de aceitação e da eliminação de dados inválidos. Como resultado os usuários poderão trabalhar com dados consistentes, uniformes e de melhor qualidade, o que tornará os processos de negócios mais eficientes e confiáveis.

Duplicação de Dados

Eliminando qualquer chance de conter dados duplicados, o que nos cenários atuais sem a centralização de dados é extremamente comum e leva a dúvidas em relação qual dados é mais confiável, o MDM irá construir uma única fonte de dados altamente confiável e proverá aumento na eficiência do negócio.

Precisão dos Dados

Sem dados inválidos ou duplicados, as discrepâncias no dados não existiram e aumentaram o nível de precisão dos mesmos, reduzindo os riscos de processamento de informações incorretas, como também o fator de normalização das estrutura facilitando a recuperação e entendimentos dos dados.

Redução de Custos

Uma vez que teremos uma solução gerenciando todos os dados mestres da empresa, automaticamente iremos reduzir os locais que precisam estar processando os dados, monitoramento da utilização,  sem contar a eliminação do impacto negativo ao negócio quando um dado impreciso é compartilhado.

Conformidade dos Dados Verídicos

Cada dia que passa os regulamentos e as políticas sobre dados estão ficando cada vez mais rígidos, com isso é fundamental que qualquer negócio tenha total controle (gerenciamento) sobre os dados, pois a não conformidade pode acarretar multas pesadas, como regulamentadas pela LGPD. A aplicação de um gerenciamento dos dados diminui as chances de violações de segurança e possibilita a conformidade regulamentar.

Tomada de Decisão em Dados

Já sabemos como as empresas estão aumentando a utilização dos dados para tomadas de decisões, informações incompletas e incorretas possibilitando à administração tomar decisões mal direcionadas que impactam o crescimento da empresa a curto e longo prazo. O simples fato de ter acesso a dados com qualidade, ajudará todos os gestores a desenvolverem estratégias eficazes.

Estamos num bom momento para considerar uma abordagem de MDM para gerenciamento de dados nas empresas. Já existem algumas ferramentas no mercado despontando com maturidade para oferecer um bom pacote de serviços, como também é possível implementar uma solução interna totalmente adaptada para o contexto do negócio. O que eu sei é, o gerenciamento de dados é um caminho inevitável para qualquer organização que queria estar no futuro entregando valores para seus clientes.


Marcelo Goberto de Azevedo 

Arquiteto na GFT Brasil

//marcelogoberto.com.br


sábado, 24 de outubro de 2020

TDD no SQL com tSQLt

 

A utilização de teste é uma realidade muito comum no desenvolvimento de aplicativos, porém banco de dados é tratada como uma forma de exceção quando falamos da utilização do método desenvolvimento orientado a testes, principalmente pela falta de uma ferramenta integrada que possibilite a criação de testes, classes, além da metrificação dos resultados da execução dos testes.

O tSQLt é uma ferramenta que oferece uma estrutura de testes para ser aplicado em banco de dados SQL, o tSQLt permite implementar testes de unidade em T-SQL, também fornece recursos como: testes dentro das transações, agrupamento dos testes em classes, saída em texto simples ou XML e o principal de criar clonar de tables, views, functions e procedure para utilizar em simulação nos testes sem interferir nas estruturas reais.

O processo para utilização é bem simples e vamos demonstrar desde a instalação e criação de um teste e sua execução.

  1. Instalação do tSQLt

  • Baixe tSQLt do site tSQLt.ORG

  • Acesse ou crie um novo banco de dados

  • Execute o script tSQLtClass.SQL no banco de dados


Installed at 2020-10-24 18:23:21.390
+-----------------------------------------+
|                                         |
| Thank you for using tSQLt.              |
|                                         |
| tSQLt Version: 1.0.5873.27393           |
|                                         |
+-----------------------------------------+
  1. Efetuar a criação de “Classes” para agrupar o teste

EXEC tSQLt.NewTestClass 'UnitTestClass';

Esse comando irá criar uma classe que poderá ser utilizada para executar somente os testes que estiverem associadas à ela, na prática o SQL criará um “Schema” com esse nome.

  1. Criando um teste

CREATE OR ALTER PROC [UnitTestClass].[Test Exists Function CalculateBestQuote]
AS
BEGIN
  --Arrange
 
  --Act
  
  --Assert
   EXEC tSQLt.AssertObjectExists @ObjectName = N'fnCalculateBestQuote'
END
GO

Importante, toda procedure que representa um teste deve obrigatoriamente iniciar com a palavra “Test”, como o banco de dados podem conter estrutura que podem não existir, diferente de código estático, existe um Assert específico que efetua a validação da existência do objeto, no caso do exemplo, ele está verificando se a function “fnCalculateBestQuote” existe no banco de dados.

  1. Executando os testes

    EXEC tsqlt.RunTestClass 'UnitTestClass'

Através do comando, todos os testes que estão associados a classe referida, será executado exibindo as mensagens de erros, os resultados esperados e um resumo dos testes.

[UnitTestClass].[Test Exists Function CalculateBestQuote] failed: (Failure) 'fnCalculateBestQuote' does not exist
 
+----------------------+
|Test Execution Summary|
+----------------------+
 
|No|Test Case Name                                           |Dur(ms)|Result |
+--+---------------------------------------------------------+-------+-------+
|1 |[UnitTestClass].[Test Exists Function CalculateBestQuote]|    127|Failure|
-----------------------------------------------------------------------------
Msg 50000, Level 16, State 10, Line 1
Test Case Summary: 1 test case(s) executed, 0 succeeded, 1 failed, 0 errored.
-----------------------------------------------------------------------------

  1. Criando a function 

CREATE OR ALTER FUNCTION fnCalculateBestQuote
(
    @BaseValue decimal(10,2),
@Fator decimal(6,2)
)
RETURNS Decimal(15,2)
AS
BEGIN
    RETURN @BaseValue / @Fator * 2;
END
GO

Após a execução dos testes e da falha, devemos escrever o código que satisfaça a regra de negócio esperada.

  1. Executando o teste novamente

EXEC tsqlt.RunTestClass 'UnitTestClass'

O resultado dos testes será com sucesso

+----------------------+
|Test Execution Summary|
+----------------------+
 
|No|Test Case Name                                           |Dur(ms)|Result |
+--+---------------------------------------------------------+-------+-------+
|1 |[UnitTestClass].[Test Exists Function CalculateBestQuote]|      6|Success|
-----------------------------------------------------------------------------
Test Case Summary: 1 test case(s) executed, 1 succeeded, 0 failed, 0 errored.
-----------------------------------------------------------------------------

Portanto, agora ficará mais fácil detectar bugs antes mesmo de conectar com seu código de backend, simplesmente executando os testes no banco de dados.

Existem várias funções desenvolvidas para validações, além claro da parte de clonar tabelas e afins para criar massa de testes, existe uma vasta documentação em https://tsqlt.org/full-user-guide/

Na GFT praticamos TDD em sessão de Coding Dojo que ocorrem a cada 15 dias em sessões online, elas são abertas para todos participarem, basta acessar //meetup.com/GFTBrasil, escolher o melhor dia e horário para você praticar.


Marcelo Goberto de Azevedo 

Arquiteto na GFT Brasil

//marcelogoberto.com.br